Era apenas um Carnaval como outro qualquer na vida da, então, pequena Fláira Ferro, quando, em fevereiro de 1996, sua mãe, D. Thereza Cardoso, a levou para conhecer o Galo da Madrugada, o maior bloco de rua do mundo. Dançando com passos desengonçados próprios de uma criança que está tentando aprender o frevo, Fláira logo chamou atenção de um fotógrafo do Diário de Pernambuco. No dia seguinte, sua foto fazia parte da capa da edição, com o título: Fláira Ferro “musa mirim do Carnaval”.
Espantada e surpresa com o que tinha visto foi logo contar para a mãe que havia saído na capa do jornal, daí em diante, as duas, mãe e filha, começaram a procurar um local onde Fláira pudesse se aperfeiçoar e aprender mais o ritmo. Certo dia, Dona Thereza Cardoso saiu para comprar ovos em um mercado da esquina e no jornal que embrulhava a compra havia um anúncio que dizia: Escola Municipal de Frevo, inscrições abertas, vagas limitadas. Achando que aquele “sinal” não estaria ali por coincidência, a menina resolveu se inscrever e começou a freqüentar as aulas. Bastante envolvida e cada vez mais apaixonada pelo frevo, Fláira teve como mestre, professor e inspiração, ninguém menos que Nascimento do Passo (passista profissional que foi destaque nos disputados concursos dos anos de 1960).
Desde então, a vida da “menina do frevo” nunca mais parou. Com menos de 20 anos de idade ela já tinha viajado por mais de dez países espalhando e ensinando esse ritmo que sempre achou tão gostoso e contagiante. Deixando a Escola de Frevo do Recife, Fláira entrou para a academia de dança Fátima Freitas e viajou com a companhia para Santa Catarina vencendo por três vezes consecutivas (nos anos de 2000, 2001 e 2002) o concurso de dança de Joinville na categoria de danças populares. O maior festival da América Latina. No ano de 2008, fez um trabalho de música e dança ao vivo com o maestro Spok no qual rodaram 17 cidades do Brasil. Levantando com orgulho a bandeira de representante da cultura, a garota se sente honrada em poder identificar o seu Estado através da arte e da dança que são suas grandes paixões.
Atualmente, com 20 anos de idade, trabalha viajando e como coreógrafa. No início do ano, vai estrear no festival Janeiro de Grandes Espetáculos, o solo “O frevo é teu?”. Projetos não faltam nos planos de Fláira que está sempre aprendendo e passando seus conhecimentos para outras pessoas. A “embaixadora do Frevo” (como ficou conhecida) sempre apreciou o Carnaval e a cultura popular e acredita que sua relação com o ritmo – que surgiu na infância - vai perdurar durante toda sua vida.

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