7.12.10

Fláira Ferro: A imagem do resgate cultural do Frevo nos anos 90

Era apenas um Carnaval como outro qualquer na vida da, então, pequena Fláira Ferro, quando, em fevereiro de 1996, sua mãe, D. Thereza Cardoso, a levou para conhecer o Galo da Madrugada, o maior bloco de rua do mundo. Dançando com passos desengonçados próprios de uma criança que está tentando aprender o frevo, Fláira logo chamou atenção de um fotógrafo do Diário de Pernambuco. No dia seguinte, sua foto fazia parte da capa da edição, com o título: Fláira Ferro “musa mirim do Carnaval”.

Espantada e surpresa com o que tinha visto foi logo contar para a mãe que havia saído na capa do jornal, daí em diante, as duas, mãe e filha, começaram a procurar um local onde Fláira pudesse se aperfeiçoar e aprender mais o ritmo. Certo dia, Dona Thereza Cardoso saiu para comprar ovos em um mercado da esquina e no jornal que embrulhava a compra havia um anúncio que dizia: Escola Municipal de Frevo, inscrições abertas, vagas limitadas. Achando que aquele “sinal” não estaria ali por coincidência, a menina resolveu se inscrever e começou a freqüentar as aulas. Bastante envolvida e cada vez mais apaixonada pelo frevo, Fláira teve como mestre, professor e inspiração, ninguém menos que Nascimento do Passo (passista profissional que foi destaque nos disputados concursos dos anos de 1960).

Desde então, a vida da “menina do frevo” nunca mais parou. Com menos de 20 anos de idade ela já tinha viajado por mais de dez países espalhando e ensinando esse ritmo que sempre achou tão gostoso e contagiante. Deixando a Escola de Frevo do Recife, Fláira entrou para a academia de dança Fátima Freitas e viajou com a companhia para Santa Catarina vencendo por três vezes consecutivas (nos anos de 2000, 2001 e 2002) o concurso de dança de Joinville na categoria de danças populares. O maior festival da América Latina. No ano de 2008, fez um trabalho de música e dança ao vivo com o maestro Spok no qual rodaram 17 cidades do Brasil. Levantando com orgulho a bandeira de representante da cultura, a garota se sente honrada em poder identificar o seu Estado através da arte e da dança que são suas grandes paixões.

Atualmente, com 20 anos de idade, trabalha viajando e como coreógrafa. No início do ano, vai estrear no festival Janeiro de Grandes Espetáculos, o solo “O frevo é teu?”. Projetos não faltam nos planos de Fláira que está sempre aprendendo e passando seus conhecimentos para outras pessoas. A “embaixadora do Frevo” (como ficou conhecida) sempre apreciou o Carnaval e a cultura popular e acredita que sua relação com o ritmo – que surgiu na infância - vai perdurar durante toda sua vida.

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