16.12.10

Ao som dos clarins de Momo

“Espero um ano inteiro
Até ver chegar fevereiro
Pra ouvir o clarim clarinar
E a alegria chegar
Essa alegria que em mim
Parece que não terá fim
Mas, se um dia o frevo acabar
Juro que eu vou chorar.”

Capiba - De chapéu de sol aberto (1973)



Todo pernambucano que se preza “espera o ano inteiro até chegar fevereiro” para cair no frevo, já que é apenas no período carnavalesco que o ritmo tão característico de Pernambuco é realmente tocado e vivido no nosso Estado. É por causa dessa vivência em apenas um mês, que os pernambucanos aguardam 365 dias para mais um carnaval. Incrível como os versos de Capiba, quase quarenta anos depois de sua composição, ainda estão mais atuais do que nunca no que se refere à expectativa pelo centenário Frevo. De qualquer forma, é impossível não se render ao ritmo eletrizante de Vassourinhas. E com nós que fazemos o No Passo do Frevo não poderia ser diferente.

15.12.10

Dilemas do Frevo: reinvenção da cultura ou passos cada vez "mais lentos"?



Multidões no quente reboliço das ruas e dos salões de baile nos dias de Momo. Essa é a cara do ritmo que mais representa o povo pernambucano: o Frevo. No auge dos seus 103 anos, o Frevo não tem mais o mesmo fôlego de antigos Carnavais. As rádios, grandes responsáveis pela difusão do ritmo no Estado, já não dão tanto valor aos sons da terra. É o que comenta o historiador e pesquisador da Casa do Carnaval do Recife, Mário Ribeiro. “Na década de 30, a Rádio Clube teve uma atuação muito forte na massificação do Frevo. Neste período, a rádio tinha uma programação especial de Carnaval com programas focados no Frevo. Os discos com as músicas do Carnaval eram fabricados em setembro e em fevereiro, graças às rádios, já estavam na boca e no pé dos foliões pernambucanos”, destacou.

Há anos que as emissoras só tocam frevos no período carnavalesco. Os poucos discos que são lançados não têm divulgação nem execução no rádio e TV, ou seja, não chegam ao povo. O Frevo foi perdendo espaço para a “música da moda”. De acordo com Mário, um dos problemas enfrentados pelo Frevo é a dificuldade de ser tocado e ensinado. “Trata-se de uma música que exige conhecimentos técnicos de arranjos e orquestração muito complexos. Praticamente inexistem no mercado livros com partituras de frevo. No próprio curso de Música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) os alunos não saem sabendo tocar o Frevo devido a complexidade do ritmo”, comenta o historiador.

13.12.10

Recife anuncia vencedores do Festival de Música Carnavalesca 2010

Há mais de 20 anos é realizado, na cidade do Recife, o Concurso de Música Carnavalesca do Estado. Mais de 200 artistas e compositores se inscrevem todos os anos e mostram suas canções entre frevos, maracatus e caboclinhos - que são os três ritmos em disputa. Este ano, os vencedores do Concurso foram escolhidos no último sábado (10) e domingo (11), durante apresentação no Teatro Santa Isabel.

Foram 30 composições que concorreram a 15 vagas para fazer parte do CD de divulgação, que será lançado em fevereiro 2011, quando também acontecerá a cerimônia de premiação dos vencedores. O concurso realizado pela Gerência de Música da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR) terá o resultado divulgado no Diário Oficial do município.

Segundo o diretor do festival, André Brasileiro, além do lugar garantido nas faixas do CD de divulgação, o concurso oferece ainda premiações especiais para a melhor música de cada gênero, sendo eles: frevo-canção, frevo-de-rua, frevo-de-bloco, maracatu e caboclinho. O 1° lugar receberá R$ 10 mil, o 2º R$ 5 mil e o 3º R$ 3 mil. Os prêmios de Melhor Arranjo e Melhor Intérprete, correspondentes ao 4° e 5° lugares, receberão o valor de R$ 3 mil cada. O show de lançamento do CD está previsto para o dia 9 de fevereiro - data em que se comemora o Dia do Frevo - no Bairro do Recife.

7.12.10

Fláira Ferro: A imagem do resgate cultural do Frevo nos anos 90

Era apenas um Carnaval como outro qualquer na vida da, então, pequena Fláira Ferro, quando, em fevereiro de 1996, sua mãe, D. Thereza Cardoso, a levou para conhecer o Galo da Madrugada, o maior bloco de rua do mundo. Dançando com passos desengonçados próprios de uma criança que está tentando aprender o frevo, Fláira logo chamou atenção de um fotógrafo do Diário de Pernambuco. No dia seguinte, sua foto fazia parte da capa da edição, com o título: Fláira Ferro “musa mirim do Carnaval”.

Espantada e surpresa com o que tinha visto foi logo contar para a mãe que havia saído na capa do jornal, daí em diante, as duas, mãe e filha, começaram a procurar um local onde Fláira pudesse se aperfeiçoar e aprender mais o ritmo. Certo dia, Dona Thereza Cardoso saiu para comprar ovos em um mercado da esquina e no jornal que embrulhava a compra havia um anúncio que dizia: Escola Municipal de Frevo, inscrições abertas, vagas limitadas. Achando que aquele “sinal” não estaria ali por coincidência, a menina resolveu se inscrever e começou a freqüentar as aulas. Bastante envolvida e cada vez mais apaixonada pelo frevo, Fláira teve como mestre, professor e inspiração, ninguém menos que Nascimento do Passo (passista profissional que foi destaque nos disputados concursos dos anos de 1960).

6.12.10

Confira entrevista pingue-pongue com Maestro Spok



“A importância do frevo para mim é que ele é o maior registro da alma do meu povo, da minha alma, e eu não tenho interesse nenhum em perdê-lo.”  Maestro Spok

Inaldo Cavalcante de Albuquerque é natural de Igarassu, iniciou seus estudos musicais em Abreu e Lima com o professor Policarpo Lira Filho (Maninho) em 1984. Em 1986 veio para o Recife, e passou a trabalhar com grandes nomes da música pernambucana como: Maestro Ademir Araújo, Maestro Clóvis Pereira e Maestro Guedes Peixotos. É considerado um grande percussor do Frevo fora do País e já levou o nosso ritmo para quase todo canto do mundo. Maestro Spok nos fala sobre como o frevo entrou na sua vida, seus projetos e visões sobre o desenvolvimento que a nossa cultura vem ganhando e dentro e fora do Brasil.

1.Como o frevo entrou na sua vida?

O meu tio tocava saxofone e organizava uma orquestra em Abreu e Lima. Meu pai era boêmio, amante da musica, das poesias populares e também do frevo e eu cresci ouvindo Capiba, Nelson Ferreira, Claudionor Germano e outros mestres. Na adolescência, em 1983, eu comecei a estudar música. Daí em diante me apaixonei pela música, pelo instrumento (o saxofone). Depois passei a estudar em Recife, no centro de profissionalizante de criatividade musical do Recife e foi onde tive contato com os mestres do frevo: Maestro Duda, Menezes, Clóvis, Guedes entre outros. Em 1996, formei com alguns amigos a "Banda Pernambucana" e passamos a acompanhar o artista Antonio Nóbrega pelo Brasil e pelo mundo. Em seguida a banda passou a ser conhecida como "Orquestra de Frevo do Recife" e que neste ano (2004) já como "Spokfrevo Orquestra" lançamos nosso primeiro CD solo intitulado "Passo de Anjo". Durante todo esse tempo passei a conviver e ter a sorte de poder tocar com todos e graças a eles estou hoje com a orquestra a qual conseguimos realizar vários eventos.

Os desafios do frevo: 43 anos preservando a cultura pernambucana

Tentar manter acesa a chama do frevo. Foi com esse intuito que o paraibano Hugo Martins, radicado em Pernambuco desde os 9 anos de idade, estreou em 10 de outubro de 1967, na Rádio Universitária, o programa O Tema É Frevo, que vai ao ar desde então aos sábados e domingos, durante todo o ano, sempre às 16h.

O radialista, que se tornou compositor de frevo de tanto ouvir este tipo de música, confessa que não imaginava que o programa pudesse ter uma vida tão longa. “O programa existe até hoje, há 43 anos, porque estamos em uma emissora educativa de uma universidade que tem compromisso com a cultura. Em outras emissoras, certamente já teria acabado”, afirma.

5.12.10

Lirismo nas manhãs de domingo

A Rádio Universitária tem outro espaço dedicado ao frevo. Trata-se do programa O Bloco Ta Na Rua, apresentado por Miriam Leite. Voltado para o frevo de bloco, o programa vai ao ar todos os domingos, às 8h. A radialista apaixonada pelo encanto e a poesia dos tradicionais blocos líricos lamenta o fato de as pessoas só ouvirem e tocarem o frevo durante o período carnavalesco.

Miriam lembrou que há alguns anos, já a partir do mês de setembro eram divulgadas as musicas que seriam tocadas no próximo carnaval. “Hoje praticamente não se cria mais. Não dão valor. Até mesmo nos festivais onde são criadas novas músicas o CD só é lançado após o Carnaval, e isso eu não entendo. Faço o que posso para manter viva a chama do frevo”, frisou.

Serviço:

Programa O Bloco Ta Na Rua
Rádio Universitária FM (99.9Mhz)
Domingos das 8h às 9h